11 de novembro de 2007

Leitor da Folha

Reportagem da Folha de S. Paulo de hoje traz um perfil do leitor do jornal. O levantamento do Datafolha mostra um leitor bem informado: 68% têm curso superior; 90% pertencem às classes A e B; 92% assistem a telejornais; 69% lêem revistas e 57% buscam notícias na Internet.

Outra matéria informa sobre os dados de circulação, medida pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). A circulação média da Folha é de 307 mil exemplares, a maior do Brasil – 7,3% superior à de O Globo e 26,3% superior à de O Estado de S. Paulo. O dado mais interessante, porém, é a queda da circulação dos jornais impressos no país. A circulação média da Folha era de 530 mil exemplares em 1997 e 441 mil em 2000.

Os textos, disponíveis apenas para assinantes, estão abaixo:


Leitor da Folha está no topo da pirâmide social brasileira

Pesquisa do Datafolha feita neste ano mostra que público do jornal tem superior completo e pertence às classes A e B

Maior parcela está entre 23 e 49 anos, usa a internet, é de perfil liberal em relação a questões polêmicas e não tem simpatia por partidos


DA REPORTAGEM LOCAL

O leitor da Folha está no topo da pirâmide da população brasileira: 68% têm nível superior (no país, só 11% passaram pela universidade) e 90% pertencem às classes A e B (contra 18% dos brasileiros). A maioria é branca, católica, casada, tem filhos e um bicho de estimação.

A maior parcela dos leitores tem entre 23 e 49 anos, é usuária de internet, faz exercícios e freqüenta restaurantes, shoppings, cinema e livrarias.

Sobre questões consideradas polêmicas, os leitores se posicionam a favor do casamento gay, da legalização do aborto, da reforma agrária e contra a pena de morte. São, por outro lado, contrários à descriminalização da maconha e a favor da redução da maioridade penal.

Esses são alguns dos principais resultados do Perfil do Leitor 2007 da Folha, realizado pelo Datafolha de abril a junho em 45 cidades do país. Foram feitas 93 perguntas a 1.556 entrevistados entre assinantes, compradores em banca e secundários -aqueles que lêem exemplares de outra pessoa.

Profissões

A pesquisa identificou que 63% dos leitores estão no mercado de trabalho ou à procura de emprego (caso de 4%). Os 37% restantes são aposentados (17%), estudantes (10%) e donas-de-casa (8%), entre outros.

A profissão com a maior participação individual entre os leitores do jornal é a de professor: 12% lecionam. Na seqüência, vêm advogados (7%) e engenheiros (4%).

A comparação com o levantamento realizado em 1997 mostra um declínio na proporção de católicos: embora continuem sendo a maioria do leitorado, houve uma diminuição de dez pontos percentuais (de 65% para 55%) e um aumento dos que se declaram sem religião (de 10% para 18%).

Outras mudanças notadas neste ano aconteceram no campo político. Cresceu a desilusão com os partidos -a maioria, 57%, declara não ter simpatia por nenhum deles (em 2000, eram 45%)-, houve um aumento dos tucanos (são 18% dos leitores) e uma perda de 21 pontos percentuais dos petistas (caíram de 34% para 13%).

Mídia e internet

O leitor é superequipado -tem DVD, celular, computador e câmera digital- e faz uso intenso da internet: a maioria usa buscadores, compara preços, faz pesquisas de trabalho, usa MSN (programa para conversa na rede), faz download de programas e ouve músicas.

São consumidores vorazes de mídia: 92% assistem a telejornais, 69% lêem revistas, 58% ouvem notícias no rádio e 57% seguem noticiário on-line. O meio impresso, porém, é o preferido dos entrevistados: se tivessem que optar por um, 53% ficariam apenas com o jornal.

O leitor está satisfeito com a Folha: considera o jornal crítico com os governantes, pluralista, equilibrado e imparcial. Comparado com os noticiários on-line, o jornal se sai melhor nos quesitos "confiável", "confortável" e "com menos erros".
Os entrevistados julgam importante ler jornal para se manter no mercado de trabalho, para poder conversar com amigos e para ter prestígio.



Jornal se mantém há 21 anos como o de maior circulação no Brasil

São, em média, 307 mil exemplares diários, segundo dados do IVC de setembro

DA REDAÇÃO

A Folha continua sendo o jornal de maior circulação no Brasil, posto que mantém desde 1986. Segundo dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação) relativos a setembro deste ano, a circulação da Folha é de 307 mil exemplares em média, 7,3% superior à de "O Globo" (286 mil) e 26,3% superior à do concorrente local, "O Estado de S.Paulo" (243 mil).

Nas edições anteriores do Perfil do Leitor (1997 e 2000), a circulação da Folha era de, respectivamente, cerca de 530 mil e 441 mil exemplares; nesse período, todos os principais diários brasileiros registraram queda na circulação. Porém, de acordo com o diretor de Circulação da Folha, Murilo Bussab, verificou-se uma recuperação dos chamados jornais de interesse geral a partir de 2004, com estabilidade desde então.

A Folha também é o jornal que mais vende fora de seu Estado de origem, São Paulo: 23% dos seus leitores são de outros Estados. A proporção é de 6% nos concorrentes "Globo" e "Estado". 91% dos leitores da Folha são assinantes, e 9% compram o jornal em banca.

Bussab destaca a abrangência nacional da Folha e diz não ver, no médio prazo, possibilidade de boom no mercado dos jornais de interesse geral. Mas é possível, avalia, crescer de modo sustentado num contexto de recuperação econômica.


(Marcia Benetti)

Um comentário:

Cristina disse...

Eu preferiria que meus leitores fossem os mais pobres, com nível fundamental, tivessem opinião própria sobre questões polêmicas e se interessassem pela vida dos partidos políticos do país. Mas acho que eu sou do contra...
Falando ainda mais sério: até entendo a lógica comercial de se dizer aos quatro ventos que "o nosso leitor é o consumidor que importa" (e a lógica histórica da Folha de São Paulo), mas me dá uma certa ânsia este "orgulho" de desempenhar o papel de representante da elite.
É...eu sou do contra...